quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Análise de Mão - SitnGo -No BU com 10BB, blinds tight, roda em fold. Qual o impacto de um limper short/medium/big stack? – Restam 6

Sabendo que os jogadores nos blinds são tights. No caso em que chega no hero em fold e temos 10BB, é um push bem tranquilo como apontado abaixo:



Mas qual seria o impacto de termos mais um limp na mão? Teria diferença se o limper fosse short-stacked/big stack ou midium stack???


-Limp Short Stack:
Aqui a probabilidade de tomarmos o call é altíssima, o que torna a jogada é –EV. O short-stack tem ótimas odds com noss push. 



-Limp Midium Stack:

Mesmo que o jogador middle stack tivesse um limp/fold considerável, como apresentei abaixo (open de 32%, call com 11%) a jogada ainda assim é –EV. O aumento da probabilidade de tomarmos o call é o fator determinante. A linha de pensamento aqui é que quão mais tight o limper, pior o cenário.




-Limp Big Stack

No caso do limper ser um big stack, a situação é ainda mais –EV. Em geral, o aumento no stack do limper é aumenta a probabilidade do call dele, logo, é desfavorável ao nosso push. Isso por que no cenário abaixo estamos considerando um jogador com uma péssima característica – limp/fold alto. Ainda assim a jogada é –EV. Se considerarmos que o limper é um jogador mediano (sem limp/fold tão alto)  a jogada perde ainda mais o sentido.





-Conclusão:
Observe como o wizzard demonstra o conceito de que, em geral, é preferível fazer nossos moves contra stacks medianos (menos chance de tomar o call) do que contra stacks extremos (muito pequeno ou muito grande – maior chance de tomar o call) . As piores situações ocorrem nos casos de envolvimento com os stacks extremos - short/big.
Outro ponto interessante é que o range sugerido para o call contra o short stack é o mais loose dos 3 casos. Os ranges sugeridos apenas indicam que o quão tight deve ser nosso range é diretamente proporcional a quantidade de fichas que estão sendo colocadas em risco.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sit And Win - 01 - Early Game

O objetivo nesta fase do torneio é preservar nosso stack, a fim de usá-lo agressivamente no próximo estágio do torneio, o "middle game".

Um dos maiores motivos que influencia o jogo conservador no early game é o fato de as fichas nesta fase do torneio valem menos do que as que perdemos. Esse fato é explicado pelo ICM - Independent Chip Modeling. ICM é basicamente uma fórmula matemática que determina o valor real monetário de cada jogador em um determinado momento do torneio. Comparar esse valor monetário para as diferentes decisões (all-in/call/fold) é a chave para determinar qual jogada é mais vantajosa matematicamente.

Exemplo 01)

$15+$1 NL (9 max)

UTG: $3.375
BTN: $3.375
SB (hero): $3.375
BB: $3.375

Para saber quanto vale qualquer um dos stack é fácil:

 - Total de primiação = $15 * 9 jogadores = $135

Considerando que todos os jogadores tem habilidades e stacks iguais:

   - Total da premiação/nº de jogadores = $33,75
   -Ou podemos considerar que cada um tem direito a fatias iguais, ou seja 25% da premiação.

Dessa forma qualquer stack no cenário acima tem o mesmo valor : $33,75.

A equidade é o percentual do prêmio devido para um determinado jogador.

Então nessa mão é como se todos os jogadores tivessem 25% de equidade. Perceba que no próximo exemplo, apesar do stack do UTG permanecer o mesmo, sua equidade aumenta devido ao fato de ter um short-stack na mesa.

Exemplo 02)

Utilizando o ICM Poker Calculator, chegamos na seguinte conclusão:

$15+$1 NL (9 max)

UTG: $3.375 -        26,05% de equidade - 26,05% de $135 = $ 36,17
BTN: $3.375 -        26,05% de equidade - 26,05% de $135 = $ 36,17
SB (hero): $5.000 - 31,97% de equidade - 31,97% de $135 = $ 43,16
BB: $1.750 -           15,92% de equidade - 15,92%de $135 = $ 21,49

-Fato 01: O UTG e o BTN tem a mesma quantidade de fichas no exemplo 01 e 02, mas seus stacks valem respectivamente $33,75 e $36,17. Ou seja, seus stacks passaram a valer mais neste último exemplo. O motivo: a presença de um jogador com menos fichas aumenta a chande dos jogadores no UTG e BTN ficarem ITM. Portanto, seus stack passam a ter um valor monetário maior.

-Fato 02: O big stack tem um stack quase 3 vezes maior que o small stack. No entanto as fichas do big stack valem somente o dobro que o do small stack.Esse fato deixa bem claro que as fichas que você ganha valem menos que as que você perde, pois o acréscimo de uma ficha adicional no seu stack não é tão importante quanto o decréscimo de uma ficha que você perde. Em estratégia de jogo, este conceito se traduz de forma que deve-se minimizar a exposição a riscos a menos que, em troca, estejamos recebendo um benecífio superior a este risco. Se a distribuição da premiação fosse 100% para o primeiro lugar, essa distorção desaparecedia e as equidades de todos os jogadores seriam proporcionais as suas fichas. Dando uma grande vantagem muito maior para o SB.

Em resumo, se a premiação fosse 100/0/0 poderíamos adotar uma estratégia mais tolerante a riscos, mas como as premiações em geral são 50/30/20 deve-se jogar de acordo e capitalizar em cima dos erros dos adversários que jogam como se a premiação fosse 100/0/0.

Coin-flips no early-game são extremamente desaconselháveis, já que as ficha que ganhamos não valem tanto  quanto as que perdemos. Isso é algo que deve ser explorado, ganhando valor passivamente em muitas mãos enquanto outros jogadores se eliminam. E, ao mesmo tempo, isto faz com que só nos envolvamos em mãos no early-game onde a chance de vencer é maior do que deveria ser se levássemos em consideração apenas os odds. Ou seja, precisamos de uma boa margem de valor adicional nas mãos em que vamos nos envolver.

Por exemplo, não podemos jogar coin-flips (AK contra 22 por exemplo) a margem de vitória nossa deve ser maior que 55% para começarmos a ser lucrativos.

-Abaixo as combinações pré-flop:

Combinação Pré-Flop Exemplos PercentuaisMedia/Pior caso/Media
Duas overcards vs Duas undercardsAK vs 72
AK vs 54s
68-32
59-41
60% a 70% favorito
Uma overcard vs Uma carta no meioA6 vs Q2
A6 vs Q2s
64-36
60-40
60% a 65% favorito
Uma overcard vs Duas cartas no meioA5 vs K8
A5 vs T9
60-40
55-45
55% a 60% favorito
Duas overcards vs Um parJ5 vs 22
T9s vs 22
53-47
46-54
coin-flip
Par vs uma Overcard66 vs K6
66 vs K5
69-31
70-30
70%-30% favorito
Par vs Duas UndercardsKK vs Q6
KK vs 54s
88-12
77-23
89% a 77% favorito
Overpair vs UnderpairKK vs 33
77 vs 44
81-19
81-19
80%-20% favorito


Apesar de definitivamente termor que jogar tight na fase inicial de um sit-and-go, as jogadas devem ser bem pensadas, bem planejadas. Não devemos jogar de forma desleixada só por que temos mãos fortes. Temos que refletir sobre as possíveis mãos dos nossos adversários, sobre como eles estão jogando (tight/loose).
-Mãos jogáveis no Early-Game:
    - Mãos fortes  - AA/KK etc..
    - Mãos com potencial e baixo risco - AK, AQ, etc.
    - Mãos com potencial e alto risco - pares baixos que possam flopar trinca.
    - Mãos com pouco potencial, alto risco e excelentes odds - mãos fracas em que temos somente que completar o SB.
-Jogando Mãos Fortes: AA/KK/QQ e até certo ponto JJ. A mão deve ser pensada do início, para extrair o máximo. Muitas vezes vai envolver apostas fortes para tentar puxar todo o stack de jogadores que jogam draws ou que não conseguem largar top pair sem kicker. Apostar forte quase sempre, pois não há motivos para fazer slowplay. Ao ter um top-pair/overpair e tomar um raise após a c-bet, o call apenas pode ser a melhor opção se o adversário estiver jogando fora de posição pois não queremos assustá-lo mostrando ainda mais força nesses spots. Dando apenas o call, damos a chance do oponente jogar errado ao invés de jogar corretamente foldando o nosso re-raise. Mesmo que o turn mostra uma carta do naipe que completaria o flush do oponente, vamos pro chão do mesmo jeito. O range do oponente para check/raise flop/bet turn é muito maior que o range para check/raise flop/call re-raise.

Um KK num flop com um A a maioria das vezes a melhor jogada vai ser o check. mostrando fraqueza. Uma c-bet indica que temos o A, tornando a mão um blefe total, não fazendo diferença se temos na mão KK ou 32o perdendo todo valor do second-pair. O check induz o adversário a dar um call errado no futuro ou fazer um pequeno blefe, dois casos para os quais temos uma boa mão. O check no turn após ter dado check no flop é um grande sinal de fraqueza, devemos aproveitar esse momento para jogar nosso second pair por valor.

AA/KK em geral devem ser jogados de forma extremamente agressiva (apostando entre 3/4 do pote ou o pote) tentando trazer todos o stack do adversário para a mesa. Já QQ é uma mão que as vezes é um pouco mais complicada de se jogar do que AA/KK.
Um exemplo interessante, é quando UTG abre limp, UTG + 1 faz raise de 4 bigs. Já devemos colocar UTG +1 em uma mão boa, pois ainda tem toda mesa por falar e ele já sai fazendo raise em cima do UTG. Portanto, se dermos re-raise com QQ perdemos o valor da mão, já que estamos exibindo um range muito forte (AA/KK/QQ) e na realidade tendo a pior mão possível desse range. Essa é uma situação que raramente é lucrativa. Jogando com o raise estamos obrigando nosso adversário a continuar na mão somente caso tenha AA/KK/AK/QQ - basicamente o range de mãos que está muito na frente do nosso. Nesse caso, não teremos edge necessária para ser uma jogada lucrativa.

Damdo call, por outro, lado estamos demonstrando um range bem mais fraco (que na cabeça do nosso adversário pode incluir pares, brodways, Ax, etc.). Assim, teremos a chance de surpreender nosso adversário pós-flop e induzi-lo a cometer um erro.
QQ, fora de posição, com um flop com draws como 8c6e7c, a melhor opção é fazer uma lead bet. Uma lead bet aqui, ao invés de um check raise não demonstra tanta foça podendo levar o vilão a dar raise com uma mão pior que a nossa. Ao apostar e tomar call, vindo um 4c (completando o draw) nossa aposta no turn pode ser menor para não assustar o vilão, e já decidimos por o resto do stack no river.

 Com um stack efetivo de 24 blinds, e 3-betamos pre flop o oponente com QQ, restando 16BB no flop:
5c4eJp. O check pode ser a melhor opção para induzir o oponente ao blefe, já que se c-betarmos ele terá que vir all-in praticamente sem fold-equity - o que só é feito se ele estiver muito forte. Considerando o tamanho do pote a maioria dos vilões tentará pelo menos fazer uma aposta para roubá-lo. Se o oponente aposta, temos que pensar em um raise que seja atrativo para ele, e que o deixe comitted para o shove no river - muitas vezes um mini-raise ou pouco mais será suficiente.
 -Mãos com Potencial e Baixo Risco
Aqui existe uma certa divisão no mundo do sitandgo, alguns profissionais preferem aumentar com AK e AQ. Outros preferem dar limp. Ambas as jogadas fazem sentido.

Regra básica: se é possível que muitos jogadores particippem da mão então é melhor entrar de limp - essa jogada necessita de muita atenção a qualquer sinal de agressividade do oponente, arriscando o menor número de fichas.  Enquanto que se você acha que poucos jogadores vão participar da mão - um, no máximo dois -, você pode dar raise pois mesmo que erre o flop pode levar a mão com uma continuation bet ou ver o turn de graça - posição é muito importante nesse ponto.

Raise pré-flop - Missed flop
Ao decidir dar um raise, devemos analisar a textura do flop para decidirmos se vamos c-betar, abaixo alguns exemplos:


Como regra geral, flops sem flush-draw, sem straight-draw e flops onde você pode representar uma carta que você não tem são bons para c-bet. Por outro lado, flops com duas cartas altas, que você não tenha acertado, com draws, são péssimos para c-bet.

Flop como 422. também são péssimos para c-bet, os adversários dificilmente irão foldar qualquer par e muitas vezes irão dar raise com mãos piores  que a sua, pois sabem que ao menos que você tenha um par mediano ou alto terá que dar fold.

Outro fator importante não decisão se devemos fazer c-bet em missed-flop é o número de adversários participando da mão:
  • Um jogador - quase sempre.
  • Dois jogadores - somente em flops excelentes.
  • Três jogadores ou mais - nunca.
Quando nossa c-bet não passar, a maioria das vezes vamos desligar a mão (check/fold).

Raise pré-flop - Hit flop 
Aqui o raciocínio passa a ser como vamos extrair mais fichas. Num flop como AcKc3p, temos uma mão muito fote e estamos dispostos a colocar todo o stack nessa mão. Extraindo de draws e Ases mais fracos. O tamanho da aposta aqui será sempre próxima do pote.

Quando acertmos em um flop como AcTp2e - podemos dar check e deixar nosso oponente tentar blefar, ou achar que o Ás dele está na frente. A aposta aqui é de 2/3 do pote. Quase sempre aqui, estamos dispostos jogar todo o stack na mão,

Limp pré-flop
Quando entrar com limp você vai querer ganhar potes pequenos ou perder potes pequenos. Se a mão de repente se tem uma agressividade inexperada, a maioría das vezes será melhor largar sua mão, principalmente quando muitos jogadores conseguiram ver o flop  de forma barata e agora podem estar com um monstro : dois pares, trincas +.

Se você entra de limp e erra completamente o flop, não há motivos para tentar roubá-lo já que o pote é pequeno e você nem se quer tem a vantagem de ter entrado no pote de forma agressiva.

Por outro lado, no caso de um top-pair, você vai querer extrair de Ax e flush draws em flops como  Ac8c8p, de Qx em flops como Qe7c2p.

Numa mão em que entramos de limp, flop cheio de draws e mais dois ou mais oponentes na mão - com o nosso top-pair, muitas vezes vai ser melhor darmos apenas call em alguma aposta para controlarmos o pote. Isso além de controlar o pote pode fazer com que nosso oponente tente roubar novamente o pote com uma mão pior que a nossa.


-Mãos com Potencial e Alto-Risco: são basicamente pares médios e baixos. O objetivo é acertar uma trinca e extrair o máximo de fixas. É um erro recorrente de jogadores de sitngo superestimar os possíveis ganhos com trincas e subestimar o custo de jogar tais mãos.

Devemos sempre penar sobre dois aspéctos:
  • É grande a chance de dobrar caso acerte minha trinca?
  • É pequeno o investimento para ver o flop comparado com o meu stack?
A chance de flopar uma trinca é de aproximadamente 1 em 8, ou seja, considerando que toda vez que você acertar a trinca você dobrará seu stack, o stack efetivo precisa ser de no mínimo 8 vezes o valor do call.

Vale lembrar que fazer um investimento pouco mais que break-even não é interessante já que vimos anteriormente que as fichas que ganhamos valem menos do que as fichas que perdemos.

Raises de EP são preferíveis para dar call, já que jogadores tendem a jogar a partir dessa posição com mãos mais fortes. A presença de um segundo jogador também favorece o call. Devemos ter a tendência de evitar o set mining contra raises de CO/BU pois nessas posições os jogadores abrem bastante seus ranges e dificilmente vão se envolver em potes grandes.

No middle-game é quase sempre correto desistir desse tipo de mão.

Ao dar um call em um raise do UTG(+1) e floparmos a trinca, não devemos cometer o erro de fazer slow play; temos que aumentar o pote desde o flop visando colocar todas as fichas em jogo no turn ou no river.

-Mãos com Pouco Potencial, Alto Risco, Excelentes Odds: mãos fracas em que temos somente que completar o SB. Mesmo o investimento sendo pequeno, a mão deve ter algum potencial. Mãos como 9c3c, não valem a pena nem completar o SB pois é muito vunerável pós-flop: com essa mão na melhor das hipóteses teremos trips com péssimo kicker, teremos um flush fraco além de ter sido uma mão onde os oponentes dificilmente irão por todo seu stack, já que entraram de limp e tem um range muito grande de mãos. Na maioria das vezes o ideal é simplesmente dar fold nas mãos no SB. No early-game raramente será um erro foldar uma mão mediana no SB.  Ao entrarmos com mãos como estas, a maioria das vezes vamos de check/call e fold em caso de muita agressividade por parte do oponente. Aqui queremos ganhar potes pequenos, jamais perder um pote grande. Agressividade no turn em caso de top-pair, e reanalise no river.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Easy Game - Cap. 02: Preflop Hand Ranges and Postflop Equities

O autor comenta que um leak que grande parte dos jogadores aos quais o mesmo prestou coach é não pensar sobre o posflop. O autor comenta que não devemos fazer um raise preflop apenas porque nossa mão provavelmente está na frente do range do vilão, mas temos que pensar como esta mesma mão se comporta no posflop. Qual é sua equidade (chance de vitória)?

Uma das requisições mais pedidas pelos alunos é uma ajuda para melhorar o ganho sem showdoown. A dificuldade que a maioria dos jogadores tem em fazer dinheiro sem ir para o showdown surge da inabilidade de jogar um preflop bem formulado que seja coeso com sua estratégia geral posflop. Existe uma lacuna entre o plano preflop e o posflop. Em resumo, eles não estão pensando sobre equidade.

O autor reforça que o pensamento de dar um raise com uma mão marginal, com o intuido de levar os blinds pode levar o jogador a spots extremamente não-lucrativos. Dado o tamanho do pote podemos ficar tentados a fazer uma c-bet na qual também tomamos call e por ai vai. Para evitar esse tipo de erro devemos escolher mãos que possuem boa equidade posflop.

Quais mãos possuem boa equidade no posflop?

1) Cartas de mesmo naipe (suited cards): as pessoas reagem comentando que a possibildiade de realmente fazer um flush é relativametne pequena, mas pensando em equidade, uma mão com A6s tem 100% de equidade quando o flop vem com as 3 cartas no mesmo naipe das hole cards. Se no flop vem duas cartas com o mesmo naipe das hole cards temos 50% de equidade comparado com 15% das mesmas cartas offsuited. Se no flop vem uma única carta do mesmo naipe, nos apostamos e tomamos call e o turn apresenta mais uma carta com o naipe da nossa mão. A6s tem agora 12 outs e A6o tem 3. Com essa equidade extra, nós podemos permanecer agressivos.

2) Cartas altas: quando a carta alta vem no flop, provavelmente temos a melhor mão. Mas mesmo quando não acertamos nada (maior parte das vezes) ainda temos 6 outs. Frequentemente é suficiente para continuarmos agressivos.

3) Cartas conectadas : também proveem equidade mas não tão significante quanto as cartas do mesmo naipe. Tem a vantagem dos straights serem estarem entre as mãos mais bem disfarçadas do jogo, mas também possuem muitas desvantagens: se houver um flush draw, a mão perde muita força. A nova carta pode ser de grande ajuda para o oponente.

Entendendo isso tudo vemos que uma mão como A3s é extremamente forte, misturando suited value, high card value, e connecting value. Na verdade, A2s-A5s são geralmente mais fortes que A6s-A9s já que a carta extra de conexão mais que compensa a carta alta extra.

Utilizando agressão mais equidade nos torna jogadores difíceis de ler e com maior probabilidade de vitória.

Easy Game - Cap. 01: Razões para apostar

O autor aponta 3 motivos como razões para apostar e considera que informação (apostar para saber onde estamos) e proteção (evitar que nossa mão perca força com a free card) são na verdade efeitos colaterais dos 3 motivos propostos.

1) Valor: apostar para tomar call ou raise de uma mão pior. Apostar apenas porque provavelmente você tem a melhor mão não é suficiente.
2) Blefe: apostar para fazer uma mão melhor dar fold. Apostar apenas porque você não tem outra maneira de ganhar não é suficiente para apostar como um blefe.

Esses dois pontos recaem sobre erros que os nossos oponentes cometem - ou dar muitos calls ou dar muitos folds. É da natureza humana dar muitos calls. Somos seres curiosos e queremos saber o que o oponente segura, qual é a proxima carta, se vamos conseguir ou não o nosso draw.

Entretando a razão 1 deve dominar nossas apostas. Aposta por valor, é, foi e será a melhor forma de fazer dinheiro. Em stakes baixo, digamos, NL25 para baixo, a razão 2 se torna mais ou menos inútil pela quantidade de gente dando muitos calls nas mesas. Já no NL5000, quase todos serão bons suficientes para não pagar tanto as apostas por valor então a razão 1 diminui em importancia e a razão 2 aumenta. E por fim a razão 3:

3) Capitalização de Dinheiro Morto: definido como fazer o oponente foldar, tendo a pior ou melhor mão e coletar o dinheiro no pote. Podemos pensar em fazer o oponente desistir do pouco de equidade que ele tem no pote, mas isso não costuma dar muito certo contra oponentes que costumam blefar ou dar muitos calls. Outro ponto é que o dinheiro no pote deve compensar pelas vezes que tomamos call e perdemos. Mas essa quase nunca  é a razão primária para se apostar.

O autor motiva os jogadores a sempre se perguntarem os motivos de suas apostas para que joguem de forma mais consistente.

Estatísticas - Definição/Utilização

Esse post será dedicado as estatísticas utilizadas na HUD. Aqui irei comentar a definição das estatísticas mais importantes e como a forma como essa informação pode ser utilizada. Esse post será atualizado a medida que eu for lendo/adotando as estatísticas.

-VPIP (Voluntarely put in the pot): percentual de vezes que o jogador coloca dinheiro no pote voluntariamente, pré-flop. Interessante para entender qual o range de mãos que o oponente utiliza. Colocar o big/small não entra nessa estatística, já que não é uma ação voluntária. Valor identifica jogadores que vêem mais/menos flops. Quão maior o VPIP, maior a tendência do jogador ter uma mão fraca/que não vai melhorar no flop. Aqui entram os limps/calls/raises pré-flops.

-PFR (Pre-flop Raise): é percentual de vezes que o jogador faz um raise pré-flop. É um subconjunto do VPIP.
Para quem joga big-stack, é comum ter um VPIP entre 10-28 (indo de um jogador tight a jogadores mais looses). O PFR deve acompanhar o valor do VPIP. É comum aconselhável/comum que o VPIP sempre ficar no máximo 5 pontos maior do que o PFR(para VPIPs acima de 25... essa diferença deve ir diminuindo a medida que o VPIP baixa). Quando o VPIP é mais baixo, essa diferença deve diminuir (você entra poucas vezes, mas a tendência é que você entre com raises). A partir de 5K, 10K mãos essa diferença deve está chegando nesse padrão de no máximo 5 pontos de diferença.
-AF(Agression Factor): indica quão agressivo é um jogado. É calculado da seguinte forma: (Raise% + Bet%) / Call%. É um valor relativo. É o percentual de vezes que um jogador da raises/bets em relação aos calls.  
Exemplo 01: Um jogador com VPIP = 40 e um AF = 3. É um jogador extremamente agressivo, mesmo com mãos fracas/médias (alto VPIP) ele mantém uma taxa de bets e raises muito mais alta em relação aos seus calls. Se dois jogadores tem o mesmo AF o jogador de maior VPIP maior é o mais agressivo. O jogador de VPIP maior deveria ter seu AF menor para ter a mesma agressividade do jogador de VPIP menor.
Exemplo 02: Um jogador de AF = 1 (a soma de seus bets e raises é igual a quantidade de calls) é um jogador agressivo? Observando apenas o AF não tem como afirmar isso. Se ele tem um VPIP de 15 ele é um jogador passivo, se ele tem um VPIP de 80 ele é agressivo.
 Quando o AF é infinito é porque das vezes que o jogador decidiu jogar, ele não deu nenhum call, foram bets ou raises. Não há como afirmar se um jogador é agressivo ou passivo observando apenas o AF, ele deve ser considerado em conjunto com o VPIP e as outras stats.
-WTS (Went to showdown): é a porcentagem de vezes que o jogador viu o flop e foi para o showdown. Jogador com um WTS alto (acima de 30) a tendência é que ele vá no showdown com mãos mais fracas (3º par/2º par bom kicker...).  Por exemplo, se você está fora de posição contra um jogador de WTS alto, vale a pena fazer value-bet com seu top-pair/top-kicker que esse tipo de jogador irá dar call. Ele é um jogador que tente a pagar as apostas no flop/turn/river, deve-se jogar com valor(blefar quase nunca) contra esse oponente. Se você tem air no flop, esse é um jogador que você tende a utilizar menos c-bet. Fazer bet fora de posição com seu top-pair nas várias streets faz bastante sentido contra esse jogador.
Um VPIP alto vai junto com o WTS vai mostrar a força das mãos que o jogador chega no showdown.

-W$SD (Win at showdown): é percentual de vezes que o jogador foi no showdown e venceu. É um percentual relativo ao WTS. Se pensarmos um jogador com WTS= 10. A tendência é que ele tenha um W$SD muito alta, porque ele vai no showdown apenas com mãos muito fortes.
Se o jogador tem W$SD alto e ele está fazendo bet no river, junto com um WTS baixo é um jogador que provavelmente tem uma mão boa no river. Apostar com air para tirá-lo do pote não faz tanto sentido. Se ele vem muito pouco ao showdown, mas já pagou o flop e o turn, é muito provável que ele também pague o river.

Hands: quantidade de mãos registradas para esse jogador que dão base a suas estatísticas. Esse número é quem define o quão confiável são as outras estatísticas. O ideal é que se comece a confiar nas estatísticas a partir de 100 mãos.  Mesmo com uma quantidade de mãos menor que 100, as estatísticas podem indicar uma tendência e pode ser levada em conta mesmo que de forma menos confiável.

sábado, 20 de novembro de 2010

Posição - Capítulo 17

O autor comenta as vantagens de se jogar em posição, destacanto a possibilidade de ver como os outros agem antes de você tomar sua decisão. Comenta que bons jogadores variam a forma de jogar uma determinada mão baseado em sua posição, enquanto jogadores fracos jogam as suas mãos da mesma maneira não importando a posição. Exemplo, um jogador recebe AT, ele descarta nas primeiras posições, entra de limp no meio da mesa e dá raise nas últimas posições.

Dica: quando as três cartas do flop, ou do turn ou river forem distribuídas, não olhe para a mesa; procure observar o seu adversário naquele momento. Você pode encontrar sinais que indicam se as cartas o ajudaram ou não.

O autor comenta que nem sempre a última posição absoluta (button) é a melhor. Temos os seguintes conceitos:
  • Posição absoluta: ser o último a falar em uma rodada.
  • Posição relativa: não ter ninguém sentado entre a sua vez e a vez do jogador que está puxando as apostas numa dada mão.
Em um pote com várias posições, a melhor posição relativa é estar com o raiser a sua esquerda, ser o último a falar depois que o jogardor que puxa as apostas fala. Em um cenário onde alguém sobe do meio da mesa, o botão dá call e os blinds entram também com call o BB tem a melhor posição, pois é o último a falar antes de quem puxou as apostas. Daí a impostancia de quando se tem boas mãos e está no botão, o raise pode isolar o jogo entre o botão e o raiser. Deixar os blinds entrarem nesse cenário irá prejudicar sua posição.

Dica: se um jogador fraco entra em vários potes após alguém aumentar fora de posição, e larga a mão quando não acerta um par no flop, faça uma anotação mental sobre esta pessoa. Pois a subir com esse jogador estando em posição e apostaar no flop mesmo sem ter acertado nada será lucrativo.

Uma jogada perigosa é chamar um raise de um jogador em posição inicial que está imediatamente à sua direita (você falando logo depois dele). Esta pode ser a pior posição, pois se outros jogadores entrarem no pote ou subirem de novo, você estará em um sanduíche, jogador que aumentou a sua esquerda e jogadores que chamaram/aumentaram a sua direita.

Quando alguém já aumentou antes de você e você quiser entrar no pote, mas não quer que outras pessoas entrem depois de você, considere reaumentar a aposta. Poucos tem coragem de entrar em potes que foram aumentados e reaumentados, a não ser que tenham mãos realmente fortes.

Isolation play (jogada de isolamento): reaumentar uma aposta para tentar jogar sozinho contra o jogador que aumentou primeiro a aposta.

A posição ruim também atrapalha as boas mãos no sentido de dificultar a extração de fichas quando você tem a melhor mão. Se você aposta fora de posição, o jogador pode simplesmente sair da mão. Se você da check, o jogador pode dar check também e ganhar uma carta de graça. Algumas vantagens de falar primeiro em uma mão com dois jogadores com uma boa mão é que contra um jogador agressivo, você pode induzí-lo ao blefe. Com uma mão ruim e contra um jogador tight apostar primeiro as vezes pode também levar o pote, aqui é importante ter observado o comportamento do jogador anteriormente.

Estando no começo da mesa a seleção de mãos para entrar no pote deve ser mais restrita que estando ao final da mesa.  Para jogagar fora de posição também existem estratégias que indicam muita força como o check-raise - que é basicamente, dar check fora de posição, deixar o oponente apostar e voltar com uma aposta ainda mais forte. Essa jogada pode ser também utilizada como blefe, mas vinda de um jogador inexperiente, tende a ser uma mão realmente forte. Quando fazer o check-raise: essa jogada deve ser feita, em geral, contra jogadores agressivos, pois você aumenta a probabilidade do adversário apostar ao invés de dar uma carta de graça (free card), o que pode ajudar o jogo dele e atrapalhar o seu. Portanto, quando houver um draw na mesa que possa prejudicar seu jogo, evitar o check-raise, apostar direto. Com uma mão muito forte, o raise no turn funciona muito melhor do que no flop pois o adversário terá mais dificuldade para largar a mão que já se comprometeu. Check-raise no river só aconselhado se houver muita certeza de que o adversário irá apostar, caso contrário você perdeu sua última chance de extrair alguma ficha.


Um último ponto é o controle de pote. Controlar a quantidade de fichas no pote é uma das habilidades que você deve desenvolver. Se tiver uma mão muito forte, você quer o máximo de fichas possível no meio da mesa, enquanto, com mãos mais fracas, quer arriscar poucas fichas. Outra estratégia ao jogar fora de posição com outros jogadores na mão é que após um flop de apenas cartas baixas e todos dão check, o turn mostra mais uma carta baixa, se você sair apostando, tem uma boa chance de levar o pote pois os adversários pensarão que você acertou o flop e não apostou por conta da posição. Apesar de existirem essas estratégias para o jogo fora de posição, elas são arriscadas e não chegam nem perto do jogo em posição.

Em geral, um bom jogador sendo UTG, UTG + 1, abre o pote com mãos fortes.

Estar fora de posição tem dois problemas:
  • Faz você jogar com suas mãos não tão fortes antes de os outros jogadores mostrarem a força das suas mãos, levando você a perder apostas, apostando quando não deveria ou não apostando quando deveria.
  • Não permite que você esconta a força de sua mão em situação nas quais está muito forte e gostaria que outros falassem antes de você.
Após ter classificado os jogadores como tight/loose, passivo e agressivo observar a posição pode ajudar no sentido de que um bom jogador tight jogando em posição inicial tende a ter um bom jogo. Você pode tomar proveito de sua posição contra um jogado loose que entra demais no jogo.

Queremos os jogadores loose falando antes e os tight falando depois. Um jogador loose antes de você está sempre aumentando as apostas e você pode escolher quando entrar ou não na mão. Um jogador loose depois de você pode dificultar os roubos de blinds, ao chamar ou reaumentar suas apostas. Um jogador tight antes de você mostra a força de sua mão antes e você pode evitar confronto. Um jogador tight depois de você tende a tornar o roubo de blinds mais fácil.


* Roubando Posições

Umas das vantagens de estar em late position é tentar rouvar o button. O roubo do button ocorre quando você dá um raise após um ou mais jogadores já terem entrado no pote, apenas para tentar ser o último jogador a falar e ter a melhor posição absoluta na mesa.

Em mesas short-handed a única posição que mantém suas características é o UTG. Todas as demais posições entram na briga para roubar o button e debem, sempre que entrarem num pote, preferir entrar com aumento.

-Novos termos
* mesa short-handed: mesa com poucos jogadores, onde tende-se a se jogar de forma mais ativa.
* 6-max: jogo onde o máximo de jogadores permitidos na mesa são seis.

Que Mãos Jogar - Capítulo 16

O autor comenta sobre algumas estatísticas sobre a força das mãos quando estão pré-flop e coloca alguns pontos importantes:
  • Algumas mão iniciais são melhores do que as outras
  • A vantagem das mãos iniciais boas aumenta quando você está jogando contra menos jogadores
  • Uma mão inicial boa contra vários jogadores tem sua vantagem diminuída.

Quando falamos de força de uma mão podemos pensar em dois pontos de vista:
  • Força Relativa: é a força de uma mão sozinha contra qualquer.
  • Força Absoluta: é a força de uma mão contra mãos específicas ou contra mais de uma mão ao mesmo tempo.
Uma mão forte como AA ou KK perde força contra muitas mãos, enquanto mãos mais fracas, como 89 ganham força com muitas pessoas no pote. Uma mão forte como AQ, que é favorita contra um jogador, pode perder esse favoritismo rapidamente se dois outros jogadores entrarem no pote. Com apenas dois outros adversários eles tem 51% de chances de ganhar (com mãos aleatórias), mais da metade das vezes.
Os pares contra um único jogador têm resultados melhores do que as mãos não pareadas. Por outro lado, quanto mais pessoas houver, melhor para as cartas que são suited connectors (duas caras em sequência, do mesmo naipe). Qualquer mão tem pelo menos 30% de chances de vencer de uma mão aleatória.

Um flush ocorre 1 a cada 100 mãos que se joga com cartas do mesmo naipe.